O homem que descobriu que lavar as mãos salvava vidas

Agrupamento Muralhas do Minho
28 de junho de 2020
Ignaz Semmelweis, um médico húngaro do século XIX, percebeu como combater uma misteriosa febre pós-parto que estava a vitimar muitas mulheres.
Ignaz Semmelweis nasceu na Hungria, em 1818. Depois de concluir os estudos em medicina, começou a exercer na maternidade do Hospital Geral de Viena, em 1846.

 
A elevada taxa de mortalidade materna registada numa das enfermarias intrigava-o. Num espaço onde trabalhavam médicos e estudantes, 13% a 18% das parturientes morriam de uma misteriosa doença conhecida como “febre pós-parto”, ou febre da puérpera. Por comparação, na enfermaria das parteiras, apenas 2% das mulheres morriam da febre. Ninguém conseguia explicar a discrepância.

Semmelweis escrutinou tudo, das condições ambientais às multidões que entravam em cada enfermaria, tentando apontar fatores que pudessem provocar um surto de casos de febre. Mas a única diferença óbvia estava nas parteiras. O que é que os médicos faziam de diferente?

Finalmente, percebeu o que se passava depois de um colega ter morrido com a doença, na sequência de um corte com um bisturi utilizado durante uma autópsia. Os médicos, constatou Semmelweis, dissecavam cadáveres infetados com as mãos nuas e desprotegidas. Depois, com essas mesmas mãos contaminadas, faziam partos.

A bactéria ainda não tinha sido compreendida como agente patogénico, mas Semmelweis aproximava-se da resposta ao problema: ele acreditava que os médicos que realizavam autópsias deviam estar a espalhar à sua volta partículas invisíveis de “matéria orgânica animal em decomposição”. Por isso, pediu a todas as pessoas que tivessem que examinar uma mulher na sala de partos para lavarem as mãos com uma solução de hipoclorito de sódio (lixívia) antes de entrarem, especialmente aqueles que tinham tocado em cadáveres.

Em poucos meses, o resultado desta simples mudança higiénica era evidente e surpreendente: a taxa de mortalidade materna desceu para 1% a 2%.

Mas podia o simples ato de lavar as mãos ser responsável pelo salvamento daquelas vidas? Na altura, soava simplesmente a loucura que a culpa fosse das partículas invisíveis nas mãos dos médicos. A ideia parecia radical à luz da ciência da época. As pessoas acreditavam na “teoria miasmática”, que defendia que os odores tóxicos que flutuavam no ar eram os principais responsáveis pela propagação das doenças.

Ninguém acreditou que a responsabilidade pela morte de todas aquelas mulheres era dos médicos, mas Semmelweis não estava sozinho nas suas conclusões. O britânico James Young Simpson, uma figura de vulto na história da medicina, também defendia essa relação, de uma forma independente.

Semmelweis teve alguma dificuldade em explicar à comunidade médica da época por que é que lavar as mãos resolvia o problema. No hospital, deixou que fossem os seus colegas a divulgar o procedimento. Os seus superiores ridicularizaram-no, ignoraram a sua investigação e continuaram a defender a teoria dos miasmas. Em 1849, Semmelweis abandonou o hospital.

Em 1865, depois de sofrer um esgotamento, Semmelweis foi internado num manicómio. Morreu aos 47 anos e só vários anos após a sua morte, no seguimento do desenvolvimento da teoria microbiana das doenças e de muitos avanços no campo da esterilização, a sua investigação foi finalmente devidamente valorizada.

Fontes: www.publico.pt; Anna Prakfalvi on Behance

 

Adicionar comentário

Siga-nos

Leia as últimas notícias através das redes sociais!

Receba as últimas notícias!

Enviamos via e-mail diretamente par si.

PUB
PUB

Instagram

Últimas nas Redes