Em Condeixa-a-Nova com Fernando Namora

Maria José Carvalho Areal
5 de julho de 2017
Roteiro Cultural: Casa Museu Fernando Namora, Museu PO.RO.S Conímbriga – Museu e Ruínas. O Clube de leitura da Biblioteca Municipal de Valença, “Chá com Palavras”, deslocou-se no dia 9 de Junho, ao Espaço Casa Museu de Fernando Namora, como corolário de um ano de actividade, onde este autor de língua portuguesa, foi por nós trabalhado, daí ter ficado mais conhecido e mais amado.
Nos “Retalhos da Vida de um Médico”, demos conta da forma como deu início à sua actividade de médico, e do jeito que soube e conseguiu amarrar cada dia em si, no fazer-se médico de uma população que de tanto carecia. Cada “Retalho” foi saboreado na emoção da descoberta de episódios de vida, e na leveza de uma escrita de pena fina e vigorosa.

Passámos pela sua poesia “Mar de Sargaço”, “Manhãs Frias” que nos soube guindar para o patamar do real, invocando a sensibilidade que dentro das palavras faziam morada.

“Resposta a Matilde”... divertimo-nos com O Parente da Austrália, o Avião de Caracas, o Guarda-chuva que não viajo, O Rio..., com chamadas de atenção para o comportamento da cada Homem e na mensagem pertinente deixada.

A Casa Museu de Fernando Namora, situada em Condeixa-a-Nova, é a casa onde o autor nasceu. Logo na sala de entrada ficamos emocionados, pelo facto de ter sido a Loja de venda a retalhos (tecidos, linhas. rendas...), de sua mãe, e de onde conseguiu amealhar para que Fernando pudesse cursar medicina, na cidade de Coimbra. Decoram as paredes, um conjunto de quadros (pinturas) feitas pelo F. Namora, muito influenciado pelos trabalhos que sua mãe criava, com pedaços de retalhos coloridos.

No andar de cima, encontramos um pedaço da alma do autor, - o seu escritório com os seus mais íntimos pertences.

Sentimos o seu olhar, a seu sorriso calado, a sua voz vinda de longe, e ataviamos a emoção que se colava em cada poro da pele.

Fomos guiados pela Dr.a Isabel Freitas, directora deste espaço e dona de tanta sabedoria, inerente a Fernando Namora. Escutámos. Dialogámos. Soubemos. Como prémio ao Clube de leitura, “pensou-se” numa visita ao Novo Museu PO.RO.S (Portugal Romano Sicó),  situado na vila de Condeixa, aberto ao público, no mês de Maio e que se distingue pela inovação tecnológica, na amostragem de um tempo da Romanização da Península, do modos vivendi e de todo um legado, a nós deixado, pelos Romanos. Soberbo... Permitam-nos uma sugestão: visitem este espaço, vale a pena!

Continuámos até Conímbriga para uma visita guiada ao museu e às suas ruínas. Salientámos, com gáudio e contentamento, que nos três pontos de visita efectuada, fomos recebidos com elegância, simpatia e muita sabedoria. Ficamos reféns na forma como todos
estes técnicos nos deram a conhecer, tanto no detalhe como no entusiasmo e na sabedoria.

Registámos com muito agrado e já o fi zemos saber. Cheios de momentos plenos de emoção e deslumbre, regressámos ao ponto de partida, - Valença -, em autocarro, amavelmente facultado pelo Município de Valença, que agradecemos na forma mais alargada e reconhecida. O nosso aplauso sincero, mesmo!

O Clube de leitura da Biblioteca Municipal de Valença, “Chá com Palavras”, orientada pela Prof.a Maria José Carvalho Areal, está aberta a todos quantos nela queiram participar.

Acontece às segundas-feiras de cada semana, com início pelas 15.00 horas. Os autores a
trabalhar para o próximo ano escolar são: Raul Brandão e Teolinda Gersão.

Reiniciaremos a nossa actividade semanal, no mês de Setembro, sempre naquela “mistura” saudável e plausível de Portugueses e Galegos. Assim, damos continuidade aos nossos propósitos já conhecidos e sabidos.

A ti, Fernando Namora
Li o que escreveste em letra redonda, mas não li tudo.
Peguei no primeiro livro que veio ter comigo
E folheei-o sem pressas
E sem saber mesmo de ti.
“Fogo na Noite Escura” e incendiada quedei
Para saber por onde andavas, quem eras e o que fazias.
Assim foi entrando em ti, devagar
Porque era hora de ser maior na produção,
Para dar conta da vida que
me havia sido oferecida
Por tanta luta travada em frentes quase desconhecidas.
Passaram dias, meses e anos.
O tempo foi dando a sua volta,
Desvendando que há sempre tempo para celebrar
O que dentro de nós fica
Nessa espera calada, colada
Em cada poro da pele, em cada suspiro, em todos os ais.
Vieram mais livros, por mim escolhidos
Seleccionados e datados por ordem de iniciação.
Fui enchendo a tua prateleira e dei contigo à minha beira,
Sorrindo, sempre sorrindo com os olhos, com a boca
E com essa testa alva, inundada de luz.
Mais forte deste entrada com os teus Retalhos,
Domingo à tarde, Resposta a Matilde, Minas de S. Francisco,
Casa da Malta, Rio Triste... equão triste fiquei
Com a tua partida, depois de ler Sentados na Relva.
Corri na leira de mim e chorei.
Chorei a tua perda,
A tua ida sem regresso e regressei às tuas palavras
Redondas, promissoras, comprometedoras
Enraivecidas, atrevidas, denunciadoras,
Desmascarando um tempo que anunciavas novo,
Aplaudindo no teu jeito de descrição
Intimidade tua que queria minha...
Mas ontem estive contigo.
Sentei-me bem perto de ti.
Sei que me olhavas e pensavas, que
Só podia estar prenhe de ti, por te ter descoberto
Mais do que tu permitias.
“Fogo na noite escura”.
O meu primeiro encontro no amarro de ti.
Viagem A Condeixa -a-Nova.

Casa Museu de Fernando Namora - 09/06/2017

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