Que nunca mais se repita

Mário Rui oliveira
21 de junho de 2017
Que nunca mais se repita
Portugal vive, por estes dias, momentos deveras complicados, com a catástrofe vivida nos incêndios do centro do país. Imagens mais condizentes com filmes apocalípticos mostraram-nos o cenário dantesco vivido na tarde/noite dos passados Sábado e Domingo, onde 64 pessoas perderam a vida, sucumbindo às altas temperaturas e às condições de fumo e fogo que se fizeram sentir.
Foram vidas cortadas, famílias destruídas, florestas dizimadas! Muitos têm sido os comentários, alguns mais ponderados, outros mais acutilantes e agressivos, saídos a público, inundando as redes sociais com opiniões para todos os gostos, ora acusando uns, ora ilibando outros. Importa, mais do que apurar de quem foi a culpa (se assim se pode chamar, pois, a haver responsabilidade de alguém, terá sido mais por negligência do que por culpa, porque não concebo que alguém, na plenitude das suas capacidades, tomasse decisão que, conscientemente, colocasse em risco a vida de outras pessoas - excluídos estão, obviamente, os incendiários que, neste caso, parece até nem terem existido, por se tratar de um incêndio, ao que tudo indica, derivado de causas naturais), importa pois, dizia, apurar de verdade o que falhou, quer na prevenção, quer na repressão.

Mas apurar de verdade significa aclarar o que sucedeu, sem qualquer caça às bruxas, sem procurar culpabilizar alguém apenas para arranjar um bode expiatório. Apurar de verdade significa analisar o que correu mal, para ser corrigido, mas significa analisar também toda a nossa política de prevenção, e verificar se a mesma é incorrecta, obsoleta, se foi mal aplicada, ou se é válida e este trágico desfecho é apenas o resultado da fatídica conjugação de condições e fenómenos que, com toda a probabilidade, não seria de esperar.

Apurar a verdade significa perceber o que aconteceu, por forma a tomar medidas que evitem que tal volte a acontecer. Nunca é de mais realçar o árduo e fantástico trabalho dos bombeiros que, por esse país fora, vão arriscando a vida para salvar a de outros, trabalhando em cenários complicadíssimos, com condições aterradores, mas que nunca viram a cara à luta e à sua vocação.

Antes de terminar, gostaria de partilhar o reconforto que foi ver a gigante onda de solidariedade, quer nos vários países do mundo, quer especialmente entre os portugueses, que uniram as mãos para prestar o seu contributo, prestando a melhor das homenagens a todos quantos perderam a vida, acalentando, com a sua força e o seu carinho, os familiares e amigos das vítimas.

A eles e, principalmente, às vítimas, presto a minha singela mas humilde homenagem. E que esta catástrofe nunca mais se repita!

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