Em homenagem a Kirsty Boden

Mário Rui Oliveira
7 de junho de 2017
Temos assistido, nas últimas semanas, a vários atentados terroristas, um pouco por todo o mundo e, mais próximos de nós, um pouco por toda a Europa. Apesar de, intrinsecamente, qualquer modalidade de terrorismo ser motivo de preocupação, as novas formas de terrorismo utilizadas, seja através de camiões descontrolados, seja de veículos automóveis em espaços pedonais, seja de fundamentalistas a imolarem-se mediante o rebentamento de explosivos no meio de grandes aglomerações de pessoas.
Todas elas, dizia, têm causado um medo acrescido nas populações: por um lado, por serem formas pouco vistas de atentados e, por isso, pouco conhecidas das polícias e serviços de segurança; por outro, porque são dirigidas fundamentalmente contra civis desprotegidos, atingindo todas as idades e credos, procurando sempre os aglomerados populacionais para que o dano infligido seja maior; por outro ainda porque, planeados com rigor e apoiados por organizações terroristas perfeitamente estruturadas e sofisticadas, transportam um elevado grau de dano e uma taxa de sucesso considerável.

São ainda preocupantes porque visam pôr em causa os pilares da nossa sociedade, violando o princípio do primado do direito, os direitos humanos, a protecção dos civis, o respeito mútuo entre pessoas de diferentes crenças e culturas. Importa, por isso, que a sociedade aprenda a combater este tipo de terrorismo, não só através dos serviços de segurança e policiais (imprescindíveis, sem qualquer dúvida), mas através da solidariedade, da defesa, da coragem.

É necessário que demonstre que o terrorismo nunca nos vergará, que a violência sempre cederá perante a paz. E nisso a sociedade tem sabido responder. Impressiona ver a coragem demonstrada por “heróis anónimos” que, perante o perigo, têm sabido manter a calma e a serenidade, conseguindo, no meio de tanto perigo, pensar nos outros antes de pensar em si mesmo, prestando ajuda às vítimas e às potenciais vítimas, muitas das vezes com risco para a própria vida.

Foi o caso de Kirsty Boden, uma enfermeira desconhecida que, nos atentados de Londres, no passado dia 3 de Junho, ao invés de fugir, voltou atrás, à “London Bridge”, precisamente para ajudar as vítimas de mais um hediondo atentado. E foi ali, no palco de mais um dia de terror, que morreu a fazer aquilo que mais gostava, o de salvar pessoas. A singela homenagem que aqui lhe faço fica pequeníssima perante tamanho acto de coragem, de uma anónima enfermeira que, trocando a sua vida pela de outros, demonstrou a quem com actos de terror pretende semear o caos, que nunca nos irão derrotar com a violência.

Obrigado, Kirsty!

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