Jovens Talentos Valencianos – Márcia Fernandes "Mare sia"

7 de junho de 2017
Uma brisa de primavera trouxe até nós uma jovem valenciana, de apenas 22 anos, com um enorme talento pela escrita e uma vontade ainda maior de tornar o mundo num lugar melhor.
Márcia Fernandes - Mare sia - é natural da freguesia de Fontoura e lançou recentemente o seu primeiro livro intitulado “Papá Siriruia”, um conto destinado às crianças, mas com mensagens também direcionados para os adultos.

Como tudo começou...

Márcia teve um percurso comum a qualquer outra criança e adolescente, até que, uma vez na escola secundária entendeu que estudar economia por imposição nunca iria resultar, pois ainda que fosse socialmente considerada como uma área que garante um futuro melhor, a jovem nunca escondeu a preferência pela área das letras, “as letras sempre foi o que fez mais sentido para mim”.

Numa altura de indecisão começou a fazer teatro com o Grupo Comédias do Minho e decidiu apostar nesta vertente artística, tendo ingressado no Ensino Superior com a intenção de escrever e produzir teatro como forma de criar e tentar provocar mudanças no mundo através do teatro. No entanto isso não aconteceu e Márcia acabou por abandonar o curso e, depois de frequentar um curso livre de teatro, optou por regressar à terra natal, onde sempre trabalhou durante os fins-de-semana.

Durante todo este percurso em busca de alguma coisa que fosse do seu interesse, mas sem grandes expetativas, a jovem começou por escrever um conto. Em conversa com o nosso jornal, Mare Sia contou que sempre escreveu, “Escrever começou, inicialmente, como uma forma de eu me expressar porque nunca tive ninguém que ouvisse muito as minhas ideias e escrever era uma solução para mim”.

Os primeiros esboços começaram a ser feitos em Setembro de 2014, um anomais tarde decidiu começar a dar vida ao livro, começando a ilustrar. Em Setembro de 2016 é publicado “Papá Siriruia”, apresentado pela primeira vez na Biblioteca Municipal de Valença. Este livro partiu da vontade que a jovem valenciana tinha de escrever para crianças por considerar ser algo “mágico”.

Inicialmente Márcia não tinha ideia sobre o que poderia escrever quando, folheando um livro em casa, encontrou uma pergunta num pequeno recanto do livro que interrogava “Qual é o insecto que só vive um dia?” e foi aí que encontrou o ponto de partida para o primeiro livro da sua autoria.

Muito mais do que um livro para crianças

Este livro foge um pouco à divisão clássica entre literatura para a infância e literatura para adultos, já que, se é verdade que à primeira vista parece tratar-se de uma história infantil, após algumas páginas percebemos que é isso e muito mais, destina-se a todos os públicos, basta gostar de ler...

O que é a liberdade? Quais os teus sonhos? O que é ser criança? O que é ser adulto? Como podemos voar? O que te faz feliz? Quais as tuas responsabilidades?

Será que sabemos realmente a resposta para cada uma destas questões? A grande maioria das pessoas terá alguma dificuldade, mas o que a autora pretende isso mesmo, que as pessoas tenham momentos de reflexão sobre cada uma destas temáticas. No que diz respeito à ilustração do livro, também da sua autoria, Mare Sia assume que não sabe desenhar e que tentou ilustrar a sua história da melhor forma que conseguiu e com as imperfeições todas que a torna muito mais especial.

A jovem recolheu motivos da natureza que foi encontrando ao redor de sua casa e foi construindo as personagens e os cenários até conseguir o resultado final que podemos ver na obra que conta com edição da Chiado Editora. Dessa mesma forma, a autora pede também às crianças, durante a apresentação do livro, para fazerem a própria interpretação da história, usando algumas folhas e flores secas e os resultados estão guardados para projetos futuros.

Um futuro por escrever

Atualmente a autora encontra-se a fazer apresentações do livro e workshops em escolas dos diversos concelhos do Alto Minho e a participar em Feiras do Livro e eventos ligados à temática da escrita. Revela que gostaria de apresentar o livro noutros países para poder levar a mensagem a outras culturas e outros públicos e encontra-se já a trabalhar numa nova história que tem como ponto de partida a “flor da lua” – uma flor que só vive durante uma noite de lua cheia.

Quando questionamos sobre o seu futuro enquanto escritora, Mare Sia revela “não penso que seja fácil
viver da escrita no nosso país, na nossa sociedade. As pessoas estão mais preocupadas com a vida do artista em si, do que propriamente no trabalho que ele cria”. Por isso coloca como hipótese estudar Educação Social, uma área que sempre a fascinou, sentido que desde que escreveu o livro gostaria de trabalhar com as crianças e os adolescentes no desenvolvimento pessoal.

A autora deixou uma mensagem para todos os valencianos de que o mais importante é “reencontrar a nossa criança interior! É difícil, requer esforço e dedicação, mas consegue-se. E quando nós a conseguimos trazer, vem a simplicidade, a curiosidade, a alegria pura e o amor incondicional.” Acrescentando que se conseguir que todos os dias as pessoas fechem um bocadinho os olhos e trouxerem memórias da infância que as façam sorrir, é uma batalha vencida no caminho para que as pessoas tragam a criança que têm dentro de si para o presente.

O nosso jornal deixa uma palavra de agradecimento à Márcia por toda a disponibilidade demonstrada e
pelas palavras inspiradoras desejando-lhe muito sucesso no seu futuro.

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