Viagem à Irlanda

15 de junho de 2016
Irlanda
O convite para ir à Irlanda fazer uma conferência sobre Turismo de Peregrinação foi verdadeiramente inesperado, com uma outra ideia “motivadora”: ou eu aceitava ou a Câmara de Valença não se faria representar.
1. De que se tratava, afinal? Regiões de Turismo de quatro países (Portugal, Espanha, Irlanda e França) resolveram, no âmbito da União Europeia, trocar experiências divulgando caminhos de peregrinação, sendo que, relativamente a Portugal, esses caminhos eram os da Costa. Nessa altura, eu estava bastante debilitado (tinha uma anemia) e andava em tratamento, pensando que se tratava de problemas de coração. Mas apesar disso, e ouvido o médico cardiologista que me animou a viajar, aceitei. Fui com a minha mulher a Vigo, ao Corte Inglês, comprei uma mala de viagem e um guarda - fato, e... ala que se faz tarde. Antes disso, contactei Câmaras Municipais e agentes de Turismo que colaboraram muito bem e me en- cheram de papelada, sobre as actividades principais de cada uma delas. A ideia era dar das particularidades da Região uma visão integrada das potencialidades turísticas existentes na mesma: Parque Peneda Gerês, Ferryboats, Golfe, Termas, etc. Como assistente administrativa e intérprete acompanhou-me a Dr.a Isabel Costa, Directora da Biblioteca local. Na altura, fiz um diário de bordo. Que nunca foi publicado. Mas, volta e meia, vêem-me à ideia situações, mais ou menos interessantes, que me dão alguma saudade. É que, mesmo assim, passei por situações que merecem ser contadas. Penso eu...


2. A partida foi do Aeroporto Francisco Sá Carneiro. Surpreendentemente modificado. Feito o cheque - in, fomos conduzidos para a Sala de Embarque, onde, passados poucos minutos, fomos informados que, por dificuldades de tráfego, o avião para Madrid sofria um atraso. Prometida nova informação para as nove horas. Partimos às 9.20.


3. Chegados a Madrid atravessámos a imensa nave a passo acelerado até ao H4. Mas o chec-in fechara e o avião tinha já partido. Solução: seguir para Dublin via Londres. Voltamos, por isso, atrás, ao H22, já com uma enorme fila com passageiros a questionarem a funcionária num diálogo que só tinha um sentido. A Ibéria promete que, chegados a Londres (os bilhetes estavam reservados) seguiríamos para Dublin. Alguém nos esperaria. Mas a “via crucis” continuava. Do terminal 3 para o terminal 1, onde nada foi possível fazer, pois os bilhetes, contrariamente à informação que nos fora dada em Madrid, não haviam sido reservados. Depois do auto-bus conduzido por um indivíduo com turbante (paquistanês), de novo o controle, descalçar sapatos, relógio, cinto. A dra. Isabel vai tentando resolver o problema, até que conseguimos chegar ao cais de embarque, onde, no restaurante, comemos uma sanduíche tipo fast-food, à americana (com muita batata), mas curiosa mente servida por um empregado... português. Afinal, contactada a organização, ficámos com a hipótese de ficar em Dublin, ou perto, seguindo depois, no dia seguinte, para Ireland, (na parte ocidental da Irlanda) onde se realizavam as Conferências. Com uma variação: a minha intervenção ficaria para a parte da tarde.


4. Chegados ao aeroporto de Dublin, fomos esperar as nos- sas bagagens que, no entanto, não seguiram no avião. Tinhamse perdido! Era noite. E cá fora, a Irlanda dava-nos as boas noites com uma chuva miudinha e persistente. Ficámos no Hotel Hilton, com uma empregado... chinês, que me arranjou uma pasta e escova de dentes, bem como uma gilette para barbear. Dormi praticamente vestido...


5. No dia seguinte seguimos para Galweres, num pequeno low-cost. Alguns minutos, e estávamos no destino. Um aeroporto de província fazendo lembrar aqueles aeroportos do Far-West. Passageiros, pouco mais de meia dúzia, talvez comerciantes ou proprietários. Uma vez no exterior, dirigimo-nos a um táxi que nos deu o preço porque nos levaria a Ireland, cerca de uma hora e meia de caminho. O taxista era uma simpatia, mas a viagem longa, por uma estrada de província, tipo EN13. Quando chegámos passava já do meio - dia e os nossos amigos almoçavam. Sinceramente, pensei que, enfim, ia ter uma refeição condigna. Mas... qual quê?! O almoço era uma sopa de tomate e san- duíches variadas. Alguém me informa: na Irlanda é assim. As pessoas perdem o menor tempo possível com o almoço, saem relativamente cedo do trabalho (a semana tem 38 horas) e depois, sim, à noite, jantam de uma forma mais completa. Isso mesmo confirmaria horas de-pois. Mas, entretanto, as Conferências: a minha, (com uma intérprete brasileira) a de uma freira, e a da representante da Região francesa. Tudo correu muito bem: cada qual falou da sua Região, das suas experiências, algumas perguntas e, no final uma visita (demorada) ao Museu. À saída, a fotografia de conjunto da praxe. No caminho uma loja, tipo supermercado de roupas, com artigos estandardizados, onde comprei um pijama a baixo preço e umas meias. Depois uma paragem num restaurante moderno, junto a um rio, por sinal com uma curiosidade: é o rio da Europa que tem mais salmão (vendo-a pelo preço de compra...) que, de resto, vemos saltarem na água. Acomodámo-nos em maples circulares abraçando uma pequena mesa. Pede-se umas bebidas, gera lmente cerveja “Guiness” - cerveja preta em copo. Não sei por que carga de água, decide-se jantar. Desconheço de quem partiu a ideia. Provavelmente da própria Directora do Turismo que nos acompanha, informação que, venho a saber, está correcta. Uns pratos enormes e, no centro, o conduto. Definitivamente, não gosto da comida irlandesa, muito salgada. Da sopa de peixe, como um pouco. No bife sou ajudado pela tradutora brasileira, sentada a meu lado, que, com a maior sem-cerimónia, me pede para provar. A novidade vem no fim: o chefe de mesa entrega a cada um dos “manducantes” uma enorme factura com a conta no total de 58€ euros. No recatado bar, algumas pessoas viam o desafio de Portugal - Espanha, no Campeonato do Mundo, que esta ganhou por um apertado 1-0, para alegria dos nossos parceiros galegos (representantes do Turismo da Junta da Galiza em Pontevedra) que devem ter bebido mais umas canecas para festejarem, como notei no táxi que nos conduziu ao Hotel...


6. Viemos depois pernoitar numa moto-hotel muito jeitosa. No dia seguinte fomos visitar a unidade de que nos falou a freira na sua conferência, que era um amontoado de casas no meio de um rio. Para lá chegarmos tivemos que ir de barco e ali fomos elucidados sobre o percurso feito pelos peregrinos e os vários percursos existentes.Há os que vão para completar percursos anteriores e os que vão iniciar novos percursos. Visitamos uma capela e uma igreja que têm de comum a beleza dos vitrais, pormenor em que os irlandeses parecem pôr muito interesse, já que, sendo protestantes, não têm santos. Seguiu-se um almoço muito simples e muito frugal, mas que foi o único em que comi alguma coisa, pois nada tinha de carnes nem de molhos esquisitos, Servido por freiras, posto o que ao começo da tarde seguimos viagem até a uma povoação que era a terra de Yeats, prémio Nobel de Literatura, o qual se encontra sepultado em frente da igreja, perto da entrada. Uma sepultura muito simples em terra e aros da sepultura pintados de cinzento como todas as outras. Não muito distante, a igreja com magníficos vitrais e, noutro lado, uma casa de turismo com objectos todos muito caros, o que me parece uma tónica do turismo na Irlanda. Aqui tomámos um chá e seguimos o nosso destino para a Capital. O nosso espanto foi enorme, pois nos quartos aguardavam-nos as nossas malfadadas bagagens! Tomei um banho ligeiro e preparei-me para ir jantar. Afinal, uma rua como tantas outras com pessoas que tocavam na rua. Para que não faltasse um toque local, caía uma chuva miudinha, persistente. Escolhido o restaurante, por sinal muito frequentado, acomodámo-nos, isto é a representação portuguesa e a galega, composta esta por três elementos. Infelizmente, também aqui comi muito pouco. O bife era uma boa posta de vitela só que com um gosto adocicado e com muitos molhos. A sopa, substancial, e embora com os preparativos da região era um pouco mais gostosa. Deitámo-nos cedo. E no dia seguinte, logo pela manhã, depois de um pequeno-almoço em que procurei desforrar-me da larica dos dias precedentes, resolvi dar uma pequena volta para ruas anexas: muita gente para os empregos, autocarros de dois andares, etc., tudo como numa grande cidade que começa a trabalhar cedo. Dali a pouco, já na companhia da dr.a Isabel, alargámo-nos um pouco mais no passeio: entrámos no recinto do Trwity College - a universidade mais famosa da Irlanda, com museu, biblioteca, etc., mas com entradas a pagar. Ainda comprei meia dúzia de postais, numa rua com jardins suspensos dos postes de iluminação, e fomos a um café... beber um café decente, mas igualmente caro. Depois regressámos ao hotel, recolhemos as malas, e pedimos um táxi para o aeroporto. O motorista, um homem possante e bem - disposto e com uma linguagem sonora perguntou-nos a nacionalidade: espanhóis e portugueses. - Realy? - Sim, digo eu, (acusando o toque) mas não há problemas: estamos habituados a perder...


7. O Aeroporto de Dublin é um mundo. A variedade dos aeroportos londrinos: ingleses, paquista neses, chineses... gente em negócios, gente que vai para feiras, e outros parasitas.... Ao longo do aeroporto, há lojas de recordações, perfumes, livros e ... chocolates, etc. Depois de dar umas voltas e de a Inês (assistente da equipa espanhola) comprar um chapéu mexicano cor - de-rosa com lantejoulas que lhe fica maravilhosamente na sua cabeça de cabelos pretos compridos, subimos para o piso superior, ou seja a zona dos Restaurantes. Sentámo-nos no apartado com vista para uma outra mesa onde dois homens trabalham com papéis espalhados e um computador. O tempo urge e há um aproveitar dos minutos... Seguidamente vem o prato encomendado: sanduíches de galinha, mais um prato com inúmeras batatas numa americanada que já dificilmente suporto. Mas não é por isso que fica no prato: alguém se encarrega de evitar o desperdício...


8. Sinceramente, fiquei fã da cerveja Guiness: dispõe bem, tira a sede, e, tem uma propriedade importante: contem muito ferro, de tal modo que as pessoas, para fazerem análises têm que estar uns dias sem tocarlhe. Pedirei uma prescrição ao meu médico, se este produto se vendesse em Valença, mas, segundo consta, só em Vigo, no El Corte Inglês.


9. Finalmente o voo às 15.20. A mesma sessão, a velha panorâmica. Lá em baixo rectângulos de verdura alternam com áreas amareladas de cevada cortada. Há também as vacas turinas pretas, brancas e beges. Sabemos que o avião, para não variar veio com uma hora de atraso. Portanto, certos e seguros de que uma vez mais vamos ficar em terra, não sem que antes comecemos a repetida “via crucis” de atravessar a nave em passo acelerado, mas brevemente vemos num painel que o do Porto já foi. Afinal já estamos habituados a estes desencontros. Restanos duas alternativas: Vigo (partida às 8,35) ou Santiago de Compostela. Vamos à Ibéria em cujo balcão um senhor faz por convencer a funcionária que tem que seguir no avião (que procura expor na esperança de com isso comover os impenetráveis funcionários) que as pessoas esperam-no no Congresso. Aliás, cada pessoa tem o seu problema. Nesse mesmo balcão somos atendidos por um funcionário em fim de turno que nos propõe ficarmos no hotel por conta da Ibéria com partida, no dia seguinte, para o Porto. Recusamos delicadamente. Temos que partir hoje. Ou Vigo (preferencialmente) ou Santiago. Vigo é impossível. Santiago partida às 22,45. Óptimo. Incrédulo, o funcionário previne: - Mas a Ibéria não paga o Táxi.... - Claro. Nós temos um motorista que vem buscar-nos... E foi nítido o alívio do simpático funcionário. Depois telefonei à minha mulher a avisar que chegaria mais tarde, talvez pelas 01:00. Com espanto soube no dia seguinte que muita gente soubera da história das malas. Mas isso, como é evidente, até acabou por não ser o pior... Para os que vão viajar de avião, aconselhamos sobretudo muita paciência e nervos de aço!

Adicionar comentário

Siga-nos

Leia as últimas notícias através das redes sociais!

Receba as últimas notícias!

Enviamos via e-mail diretamente par si.

PUB
PUB
PUB
Advogados Reunidos

Instagram

Últimas nas Redes