A luta contra o terrorismo

15 de junho de 2016
Terrorismo
Depois do atentado em Orlando, o “Ocidente” entregouse ao habitual exercício de culpabilização “da América” pelo que tinha acontecido: das leis sobre a posse de armas ao “heteropatriarcado”...
Passando pelo “imperialismo” americano que “enraivece” os “marginalizados” ou pelo simples facto de existirem muçulmanos a viverem nos Estados Unidos, não faltaram “razões” vislumbradas por todos aqueles que ignoraram a fundamental: mais uma vez um indivíduo fundamentalista islâmico decidiu matar gente inocente pura e simplesmente porque essas pessoas (cristãs, judias, ateias, muçulmanas, homossexuais, heterossexuais, às pintas ou às riscas) não se submetem nem se querem submeter às regras do fundamentalismo.

Infelizmente, é por esta ser a razão que “explica” atentados como o de Orlando, ou os de Bruxelas, ou os de Paris, ou os de Londres, ou os de Madrid, ou os do Iraque, ou os do Quénia, ou os da Somália, ou os de Nova Iorque, ou todos os outros de que nem me consigo lembrar de tão regulares se tornaram, que é difícil – para não dizer impossível – arranjar uma solução para o problema que o terrorismo islâmico nos coloca: enquanto houver quem acredite que “o infiel” deve ser morto e que vale a pena morrer para o conseguir, a segurança das pessoas que não se submetam ao fundamentalismo jihadista estará sempre em causa.

Com um qualquer atentado, os terroristas criam um clima de medo propício à erupção da violência étnica no interior das sociedades-alvo, e à defesa de medidas securi- tárias que põem em causa o modo de vida que está a ser atacado; se nada for feito, a margem de manobra para novos ataques permanecerá intacta. E como com o tráfico de droga, estaremos sempre um passo atrás da ameaça, mas isso não nos deve fazer desistir de a tentar limitar o mais possível.

Foi isso que o tão odiado George W. Bush (personagem com a qual nem sequer simpatizo) percebeu, melhor que gente como Obama ou Trump. Bush, que quase todos em Portugal achavam “estúpido”, teve a inteligência (que nem Obama nem Trump parecem ter) para perceber que enquanto existissem “estados-párias” onde grupos terroristas encontrassem um “santuário” onde se treinarem e a partir do qual pudessem operar livremente ou perto disso, teriam sempre a capacidade de atacar os EUA e qualquer outro país, e de “inspirar” com os seus “sucessos” quem, fora das suas estruturas, os quisesse imitar (como o assassino de Orlando, por exemplo).

Era por isso (e não por ser um “cowboy” que queria “vingar” o 11 de Setembro) que Bush voltou atrás no que tinha dito na sua campanha eleitoral e assumiu o papel de “polícia do mundo” do seu país: sendo a única nação com a capacidade militar necessária, os EUA teriam de criar–nos estados em que ela não existisse – a “ordem” que impedisse grupos terroristas de se instalarem ou ditaduras agressivas de os armarem ou patrocinarem.

Por isso se invadiu o Afeganistão, por isso se invadiu o Iraque, e por isso se cultivou uma rede de alianças internacionais contra o terrorismo e os estados que o protegiam ou poderiam vir a proteger (pena que a Arábia Saudita, talvez o pior desses estados, fizesse parte dessa rede de alianças).

Infelizmente, a má preparação das ocupações dos dois países produziu uma hostilidade da opinião pública americana que se juntou à da dos seus aliados – contra estas “aventuras”. Obama promoveu essa uma “retracção” americana no Médio oriente (que deu o brilhante resultado que se vê na Síria) e deixou deteriorar a sua relação com os seus aliados europeus, por considerar o continente menos importante (com o brilhante resultado que se vê na Ucrânia). E Trump, debaixo do véu da gritaria contra todos os muçulmanos (como se não houvesse muçulmanos vítimas do terrorismo fundamentalista), defende um isolacionismo ainda mais acentuado, e deixar a Europa entregue ainda mais a si própria.

Diga-se o que se disser de Bush, critique-se o que se criticar (e houve muito de criticável), o que é verdade é que nenhum outro líder mundial percebeu melhor do que ele a natureza do problema. Independentemente das leis sobre o porte de armas, independentemente das opções da política externa americana, independentemente da qualidade do trabalho dos serviços de informação, atentados terroristas como o de Orlando (ou de Paris, ou de Bruxelas, ou de Londres, ou de Madrid, ou do Iraque, ou do Quénia, ou da Somália, ou de Nova Iorque, ou todos os outros de que nem me consigo lembrar de tão regulares se tornaram) continuarão a fazer parte da nossa vida.

Dar-lhes uma resposta será tão difícil como evitá-los. E entre os “bons sentimentos” contraproducentes daquilo a que por ignorância ou facilidade chamamos de “esquerda”, ou o “politicamente incorrecto” inconsequente daquilo a que por ignorância ou facilidade chamamos de “direita” apaixonada pela fraude Donald Trump, talvez o leque de respostas que “nos” vão ocorrer não seja dos melhores.

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