Decibéis a mais e a surdez prematura

Há, pois, que baixar o volume...

Dra. Luísa Cunha
5 de julho de 2017
Decibéis a mais e a surdez prematura
São aqueles que estão exposto os jovens. Em particular quando escutam as suas músicas preferidas na potência máxima, quando passam a noite na discoteca ou assistem a um concerto do seu cantor de eleição.
Em todas estas situações ultrapassam o limiar do suportável para o ouvido, correndo o risco de uma surdez prematura. Há, pois, que baixar o volume, sob pena de, no futuro, os jovens disputarem os aparelhos auditivos aos idosos...

Não há como escapar ao ruído: pelo menos numa grande cidade, ele é o pão-nosso de cada dia – o tráfego, os aparelhos domésticos, a surdina das conversas multiplicadas numa multidão que se prepara para apanhar o autocarro ou o comboio. São muitas as agressões sonoras a que estamos sujeitos, a maioria delas incontornáveis e até prejudiciais para o nosso sistema auditivo.

Para os jovens o cenário agrava-se: porque não só são expostos a estes mesmos barulhos quotidianos, como se expõem, mais ou menos voluntariamente, a doses acrescidas de decibéis, sobretudo nos seus momentos livres – na discoteca ou num concerto são vítimas da música amplificada, o que os deixa mais vulneráveis.

A intensidade sonora medese em decibéis (dB). Aqui ficam alguns exemplos típicos: o barulho da respiração ou o tique-taque de um relógio correspondem a 10 ou 20 dB, sendo estes sons parcialmente audíveis; já o barulho da água a correr ou uma conversa em espaço aberto, que correspondem a sons agradáveis, implicam uma intensidade de 40 a 45 dB; considerado normal é o ruído citadino, que atinge os 65dB. Estes sons são inofensivos para o sistema auditivo. O mesmo não se pode dizer quando o ruído ultrapassa os 80, 85 dB – por assim dizer o limite da tolerância. Talvez não imaginemos, mas tantos decibéis são os que liberta, por exemplo, uma batedeira de bolos ou um aspirador.

Usamos qualquer um deste aparelhos com frequência, mas felizmente por pouco tempo consecutivo: é que uma explosição prolongada a estes ruídos poderia provocar perdas auditivas irreversíveis.

Desconforto é certamente o que causa o ruído de uma escavadora ou de música tão alta que se torne impossível manter uma conversa entre duas pessoas – nesse caso, a intensidade sonora chega aos 100 ou 120 dB.

Numa discoteca ou num concerto ao vivo, o barulho atinge os 130 dB, o que para muitas pessoas corresponde ao limiar da dor. Mais do que isso só, por exemplo, o disparo de uma arma de fogo ou dinamite, que supera os 140 dB, ruídos que podem desencadear perdas auditivas permanentes mesmo sem explosção prolongada.

Estas são cenários do dia-a-dia, cenários em que os jovens interagem, o que faz deles vítimas potenciais dos excessos de decibéis. A partir dos 85 dB, as células cilíadas estão em perigo. Situadas num pequeno órgão do ouvido interno chamado cóclea, estas células funcionam como amplificadores de sons que recebemos, transformando-os em mensagem nervosa que é depois transmitida ao cérebro. Imagine-se então o que é amplificar um som já amplificado? Há um efeito cumulativo e estas células arriscam a ser destruídas.

Quando nascemos, somos portadores de umas 40 mil destas células, que vamos perdendo com o envelhecimento natural. Uma perda acelerada se as expomos a agressões sonoras repetidas: elas são destruídas de uma forma irreversível e, nos jovens, isso é sinónimo de perda auditiva precoce.

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